Oi :)

Por algum motivo particular da minha existência, esse blog encerrou suas atividades (temporariamente, quem sabe). Mas se você ainda me quiser ler,  existe um outro blog com coisas diferentes e, de vez em quando, pode até rolar um desassossego também. Vai lá: Não tô de brigadeira ponto wordpress ponto com.

Feliz. E só.

Parece clichê, mas escrever texto de ano novo pra mim é novidade. E o motivo faz parte do que eu tenho pra dizer.

Ano novo, querido, não é segredo: a gente nunca se entendeu. Eu tentei, te dei mais de 20 chances, te esperei, toda santa meia-noite, e você me deixou esperando e foi pra festa com esse monte de gente feliz. Não é que eu nunca fui convidada: mas de alguma forma nunca consegui chegar, ou entrar, ou participar.

Primeiro porque, feliz pra mim é mais que isso. Eu sempre fiquei perplexa, parada na porta, olhando uma festa que, deixando os detalhes ressentidos de lado, sempre me pareceu de mentirinha.

Em outras vezes eu me dediquei mesmo, quis até fazer minha própria festa, mas nem na minha eu consegui chegar. Paguei a festa, não fui e ainda rolou barraco. Ta de sacanagem, né?

Então, sem festa, sem glamour, eu esperei, contei os 10 segundos e você não veio coisa nenhuma.

Aí que eu resolvi ter um pouco de vergonha na cara. Quero que você saiba que, depois da chuva que você mandou bem na minha cabeça na última vez, eu não te espero mais.  A muitas horas da tão esperada meia-noite, comunico que minha festa já começou e o amor, a paixão, a esperança, a saúde e a amizade chegaram bem antes de você.

Se é que esse ano você vem, não vou nem ver. Mas se você trouxer dinheiro, faço um esforço e te dou outra chance. Um beijo de 2011.

Uma formiguinha.

Carregando um montão de coisas em direção ao ponto de ônibus, vejo três ônibus iguais passando. Perdi, três de uma vez. Mas acabo de sair da yoga e estou muito tranquila. Somente uma indignação mental e tudo bem, vou pra fila.

Na minha frente, duas pessoas juntas. Uma senhora e uma moça.
O onibus delas vem, para muito longe por pura sacanagem do motorista, mas elas nem uma indignação mental tiveram. Não correram, resolveram esperar pelo próximo. E a moça sai correndo para cumprimentar um menino que está fechando uma loja em frente, gritando “amigoooo!”. Depois de um tempinho, vem o menino e dá um chocolate pra moça. Ela se enche toda e admira o chocolate, “que delicia”.

Eu sorrio, ela olha pra mim, e depois diz à senhora: mas veja só que lindas estão as pessoas. Em dois minutos, me colocam nos ares. “Olha esse cabelo, que lindos cachos você tem, muito bonita você, e esse sotaque, de onde você vem? Mas que beleza, que alegria que você esteja tão feliz aqui”.
Sorrisos e sorrisos, quero abraçar as duas por tanta gentileza.

O menino da lojinha se vai de vez e cumprimenta a moça outra vez. Ela, de longe, comenta: “que lindo, ele. Olha esse cabelo”.

Meu ônibus vem, o delas não. Me abraçam e desejam muita, muita, sorte.
Vou embora arrepiada. E a verdade por trás de tudo isso é:

Numa terça-feira a noite, cruzei com uma dessas pessoas que nos dão vontade de ser alguém melhor.
Quis ser, pelo menos um pouquinho, como ela.
Uma moça pequenininha, gordinha, cabelinho liso e curto, com síndrome de down. Junto com a mãe, que traz escrito na testa “aprendi a ser mais feliz”.

30 puxões de orelha

Medo de envelhecer: não tenho, obrigada.
Sou 25 querendo ser 30 e achando essa a idade mais linda da vida.
E elas, de quase 40, me disseram,

Voce tá nessa fase, menina. Daqui a pouco voce vai ver, vai estar igual a gente, e nao é que a gente goste, a gente também não gosta não, mas o que é que vai fazer? Aí a gente sai com esses caras, que saem com todas nós e que um dia param de te ligar e você espera eternamente. E ele sabe, que quando te ligar, você vai. E você vai mesmo ué, o que é que vai fazer…

Minhas jovens, me desculpem. Não quero julgar a escolha de vocês, cada um nessa vida sabe o que vai esperar eternamente – e principalmente como vai fazê-lo. Mas eu, a de 25, quero ter a liberdade de, se é que vocês me permitem, acreditar que já não espero mais. Que sou a exceção e agora espero por ficar velhinha junto, por ter cachorros lindos numa casinha colorida, com cheirinho de comida e as mãos dadas cheias de rugas, sentados numa poltrona que só tem sentido ao lado da outra e tentando assistir o filme inteiro sem dormir. É isso o que vou fazer. Um beijo e boa sorte.

Uma perguntinha

Estou em um consultorio médico de mocinhas com uma revista Vogue nas mãos. Assim como me pego pensando em como será a vida de quem é muito muito rico, acabei de pensar em como será que deve ser a vida de mulheres tão tão lindas.

Porque ó, confesso. Queria um cabelo de princesa, uns pés mais bem pensados, uma coluna não prejudicada pela genética, uns quilos saudáveis a mais, uns peitos mais generosos, umas mãos menores  e, por favor, vamos parando por aqui.

Aos meus poucos 25 anos, já estou numa fase de aceitação bem agradável. Mas não tem jeito: eu, minhas amigas, minha vizinha, nunca vamos ser essas mulheres tão tão lindas (cá entre nós, não consigo ser amiga de uma tão tão linda). E não falo só dessas tão tão lindas dos editoriais da Vogue. Não tem nem duas horas que eu cruzei com uma tão tão linda aqui na rua em Buenos Aires. E cruzava no Brasil. E sei que vou cruzar com outras até o final dessa semana.

Então, queria deixar uma pergunta para alguma tão tão linda que eventualmente vier parar aqui. Como é ser você?

E não me venham com esse papo de que nenhuma mulher está satisfeita. É igual ao caso dos muito muito ricos – chega um momento em que você tem que aceitar quando se olha no espelho. Sou muito rico. Ou sou muito bonita. E se você for as duas coisas, me confesse por favor que, no mínimo, você é sem graça.

As melhores coisas do mundo

As melhores coisas do mundo, são, como você já pode imaginar, relativas. Algumas são realmente incontestáveis, mas pra que você entenda bem o conceito, vamos nos concentrar em detalhes bem característicos. A primeira lição é: não é exagero. Dito isso, vamos partir para exemplos claros e simples.

O palito de fósforo quente que eu gosto de apagar na gotinha de água da pia pra fazer tsssssssssssssssssss. É uma. E você vai entender bem, porque, por acaso, também gosta.

Quando eu faço banana amassada, coloco farinha láctea e depois mel. Deixo o mel escorrer da colher em um fio bem fino, e aí vou passando o fio pelo farinha e ela magicamente se enrola no mel. É sensacional.

Cinco gotas de própolis no leite quente com achocolatado – o sentido da vida muda nesse instante.

Conseguir acender o aquecedor de 1815 de primeira, uma vitória que eu nunca me canso de comemorar.

Essa não sei se vai dar pra entender, mas não errar nenhuma vez na hora de fazer o “rabinho do delineador” é praticamente ganhar na loteria da beleza.

Abrir o e-mail exatamente na hora em que ele chega. É meio que uma sensação de ter ganhado muito tempo na vida. Confuso e bem coisa de “addicted”. Mas quem sabe te ajude a entender.

Comer cereais bem rapidinho pra não dar tempo de o leite amolecer os flocos de milho, porque aí não fica mais crocante.

Encerrado os exemplos, eu te comunico que você pode se considerar muito privilegiado por eu te dizer que é, também, o melhor do mundo. Não por minha causa, é claro. Mas na minha opinião, pra alguém estar na mesma categoria do barulhinho do fósforo na água, da farinha láctea enrolando no mel e até do e-mail lido quase em tempo real, você não é,  definitivamente, um exagero. Você me entende?

🙂

Quem mexeu no meu conto de fadas?

O príncipe encantado caiu do cavalo. Se sujou na lama e saiu andando assim mesmo: sujo e machucado. Deixou o cavalo pra trás e saiu pisando forte. “Quem quiser ser princesa agora vai ter que andar atrás de mim”, esbravejou e foi andando sem olhar pra trás. Não sei se foi a queda e nem sei quem ou o quê fez esse príncipe cair, só sei que agora é assim: príncipe não é mais uma belezinha de pele lisa e cabelo penteado.

Não sei o que os belezinhas de cabelo penteado passaram a ser, mas vou te contar que na verdade eu não ando dando muita bola pra eles pra poder te dar essa informação. Ando olhando pra onde não devia. Pra essa camiseta vermelha e suja de lama que me faz esquecer do que mamãe ensinou. Não, não tô vendo a namorada do lado dele – se ele mesmo não olha, não sou eu que tenho que fazer. Ele é o cara que não serve pro futuro, mas o futuro anda tão chato que eu prefiro ficar com esse presente absurdo. Errado, é o que ele é.  Eu sei lá qual é a lógica psicológica dessa minha nova monarquia, só sei que tá tudo errado.

Onde é que já se viu príncipe encantado que faz perder o juízo, que faz meu sono ir à loucura e que dá aquele frio na barriga na hora de apresentar ou de contar pros amigos? Não era pra ser encantado? Não era pra sempre abrir a porta do carro, pra dar flores e pra ser perfeito? Cadê a perfeição dessa vida injusta de princesa?

Eu não sei. Tá tudo muito estranho e, se a fada fugiu dos contos, ela ta bem longe de voltar. Então eu aproveito a ausência pra pedir pra quem ficou tomando conta: deixem os nossos príncipes fora dos seus devidos lugares. Não precisa espalhar, mas eles são bem melhores assim. O encanto perdeu o açúcar e ficou difícil de enjoar.

Inspirado em uma amiga que anda encantada com um príncipe errado. E em mim. E em você também.



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