Arquivo de agosto \26\UTC 2009

Conta encerrada.

Hoje eu não concordo com você. Retiro todos os meus “sins” e meus suspiros apertados que consentiam com a sua falta de caráter. Hoje eu não quero saber de um minuto depois do combinado, não quero ouvir nem ler uma frase desconexa, não quero procurar sua inteligência e não quero suportar sua fraqueza. Hoje eu não me admito ser sua. Nem do jeito todo, e nem do meio jeito. Hoje eu não te espero. Não espero sua visita, sua mensagem, seu olhar, suas desculpas, sua opinião ou o seu amor. Sou só minha e pra você não tem mais nada. Eu não te evito e nem te tolero. Hoje eu não “te”. Eu quis fazer uma listas pra você. Do que você não vale. E do que você vale. Parei logo porque percebi que só teria uma lista. E isso não vale mais nada.

Ou deixa um comentário, se quiser.

Preciso ir.
Perdi a hora, olhei pro relógio e levei um susto. Tô cheia de coisas pra fazer e tô aqui perdendo tempo. Sei que você tem alguma coisa pra me falar, sei que falta resolver aqueles assuntos, mas qualquer coisa manda por e-mail, torpedo, scrap, pede pra alguém me falar, sei lá. Agora não dá. Ficaram até algumas coisas grandes penduradas, aquela viagem, o nome do cachorro que nunca resolvemos, aquela visita na sua tia, aquele show que nunca fomos. Putz, a lista é grande. Tem um monte de gente me esperando, eu sei que não é a melhor maneira, mas você também não viu a hora passar então não venha colocar a culpa em mim. Não tô com tempo nem pra me sentir culpada. E você sabe, eu estou sempre atrasada. Não ia ser diferente dessa vez.

Pra todo o sempre.

Fodeu. Já era, não tem mais jeito. Perdi a chance de me livrar dessa roubada. Eu dizia sempre pra você que não queria, e olha só pra mim. E pra você! Já foram os seus 30, e olha só pra você. Não rolou. Mas eu? Olha esse vestido. Olha esse anel na minha mão. Olha lá pra fora. É tudo como no filme que eu imaginava na minha cabeça: ao dia, muito amarelinho, essas crianças correndo e o sol batendo ali daquele lado. Mas não era pra ser, você entende? Era só um filme, não podia rolar. É bonito, é lindo, tem as crianças, as flores, o sol e os sorrisos. E depois tem tudo aquilo, a confiança, o olhar, a ternura, o abraço, a comidinha, o beijo na testa, a certeza, as mãos dadas, o clube nos finais de semana, o sexo, o cafuné, as saudades, as conquistas e a amizade. Mas acontece que depois que o filme acaba, ou por trás das câmeras, ou quando ninguém está olhando, as crianças gritam desesperadas e a mãe se lamenta 24 horas por dia pra si mesma sem ninguém ver, as flores custam caro e não são tão amarelas assim, o sol bate e queima mais do que deveria. E tem a traição, tem os olhares desviados, tem o peso, tem o sexo, tem a falta dele, tem o desleixo, tem uma vida inteira, tem a carga, tem a culpa, tem o passado, tem o “se” pelos restos dos nossos dias. O filme acaba, e essa parte não termina nunca. E mesmo assim, olha só pra mim: vou dizer sim.

E uma chaleira também.

Quando crescer, não quero mais ser médica, dentista ou professora. Muito menos estilista, que é o que eu dizia pra todo mundo, com a minha mania de sempre querer ser direrente. Quero ser uma mulher que tem gatos. Mulheres de gatos são independentes, e tão auto-suficientes que tem bichinhos que não estão nem aí pra ninguém. Quero ser uma mulher que tem jardim. Mesmo esquecendo de molhar as plantas quando meu pai viaja. Ter um jardim é, no mínimo, charmoso. Vai ter que ter alguma florzinha amarela e alguma coisinha laranja. E o quintal vai ter luzinhas pequenas e espalhadas, e uma cadeira grande de madeira com almofadas coloridas vai me esperar todas as noites. Quero ser uma mulher de cortinas. Porque no vento, as persianas fazem barulho. E as cortinas dançam.



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