Arquivo para janeiro \28\UTC 2010

Um título triste.

A gente pensando no que fazer no carnaval. Eu pensando qual é o meu problema. As meninas reclamando do cabelo. Todo mundo reclamando do preço da cerveja, da cor do esmalte que não ficou bom. Reparando na roupa da moça da mesa ao lado. Dizendo o tempo todo que não sabe mais o que fazer. Se chove, é uma merda. E se ficar nesse calor, é um inferno. Ta todo mundo puto. Porque ta sem grana pra pagar a dívida inútil daquele sapato que nunca usou, porque cancelaram o show do final de semana, porque ele não ligou, porque deixaram a toalha fora do lugar, porque… porque mesmo? Já nem sei. Já nem sei porque ta todo mundo reclamando, nem me lembro porque foi mesmo que nós brigamos, não faço ideia do que eles estão dizendo, mas na dúvida, eu reclamo junto. E aí chega um dia desses pra esfregar na nossa cara que a gente esquece o tempo todo das coisas que são mesmo importantes. E quando ela disse que é “extremamente inaceitável que o mundo não pare quando a gente perde alguém“, eu olho pros lados e não consigo acreditar que o mundo realmente não parou. Que ainda existe gente que tá puta com alguma merda, que todo mundo ainda ta reclamando de qualquer coisa porque não sabe fazer mais nada, que a gente continua recusando abraços, sorrisos, continua sem dar bom dia, sem pedir desculpas e sem perdoar. E isso não é tudo o que eu consigo fazer pra me livrar de um dia tão pesado. Mas foi só o que eu fiz. Um texto.

Por favor. Parem o mundo.

De papel passado.

E então? Como vamos fazer isso?
Só nos finais de semana? Só quando tiver um feriado? Quando não tiver mais nada pra fazer? Quando der na telha?
E a gente diz o que pros outros? Que tem alguém? Que somos amigos? Que não é nada sério? Não dizemos nada?
E as conversinhas de melar a cueca? A gente pula essa parte? Fingimos que elas são de verdade? Deixamos pra outra hora?
E se der uma paranóia? A gente pode gritar? Fugimos até passar? Não fugimos pra ver o que acontece?
E o que tá permitido? Cinema pode? Mãos dadas? Beijo na testa? Levar em casa? Pagar a conta? Ligar dizendo que chegou bem? Contar o dia? Reclamar da vida? Esquentar no frio? Esquecer do mundo? Recusar convites?
E se você encontrar alguém? Eu me importo? Deixo você saber que eu me importo? Escondo até de mim que me importo?
E então? Onde eu assino?

1 + 1 + 1

Tô aqui pra pedir uma explicação.
Isso não faz sentido, não tá vendo? É um absurdo.
Tava na cara que ia dar merda.
Não combina, não orna, não dá liga, não era pra ser. Logo vi quando me deparei com ela fazendo tanta maluquice. E foi também a primeira coisa que pensei quando me peguei dizendo pra mim mesma: Céus, eu nunca faria uma coisa dessas. E a gente pensa: como ela é esquisita, como ela é bipolar, como ela é sem noção, como ela é estabanada, como ela fala alto, como ela não se importa.
E aí que tava tudo no seu devido lugar e sei lá porque cargas d’água resolveram juntar tanta esquisitice, tanta maluquice, tanta falta de noção num lugar só. Põe tudo isso pra viajar junto, põe tudo isso pra dançar, põe tudo isso pra discutir a vida, põe tudo isso pra ir à praia, põe tudo isso pra ser engraçado, põe tudo isso pra ser.. opa. Deu certo? Ficou legal? Não ficou torto? Não fedeu? Não explodiu? Não era proibido?
Isso aqui.. não é fumaça? Não tá pegando fogo? MEU AMIGO, É SÉRIO, TA PEGANDO FOGO! Vai, vai, corre, apaga, vai queimar, eu to te falando! Te avisei, não era certo, agora ta aí, como é que dá jeito nisso?? Me explica, vai, to esperando.
O quê? Ah. Tá.. entendi.
Isso é amizade.


O que tem aqui

Diálogos, monólogos, conversas, crônicas, histórias malucas e talvez, quem sabe, até reais, de uma cabeça bem esquisita.

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