Arquivo para julho \16\UTC 2010

E eu gosto das jujubas vermelhas.

Não sei se já te contei. Mas quando fomos ver aquele filme que você esperou tanto pra ver e eu dormi, tava tendo o show de estreia da banda de um grande amigo meu. Na verdade não sei nem se te contei que dormi. Não importa. Você adorou o filme. Mas eu dormi.

Eu não sei também se você sabe que eu prefiro os pães de queijo mais queimadinhos. Mas você descreve com tanta perfeição o gosto da parte queimada que eu não consigo tirar isso de você.

Eu não posso pegar chuva. Fico gripado imediatamente. Mas você fica tão bonita e tão feliz tomando chuva comigo que eu tenho que mentir, toda vez. Não foi a friagem que eu peguei voltando do trabalho. Não foi o ar-condicionado do trabalho. Não foi a falta de vitamina C. Não peguei do meu irmão. Foi a chuva que você me fez pegar.

Eu nunca te mandei flores. Eu nunca abri a porta do carro pra você entrar. Muitas vezes esqueço de te oferecer minha blusa quando você diz que está com frio. Não reparo no seu cabelo quando você corta, na cor das suas unhas toda semana, no seu batom novo ou na blusa branca que você ta usando. Pra mim ela é igual à blusa branca que você usa sempre. Mesmo que não seja uma e que você vá me dizer que são várias. E se você perde um quilo, ganha dois e depois perde outros cinco, também não consigo saber.

Minhas declarações de amor são assim. No pedaço do frango que não como porque você gosta muito. É, a coxa do frango. Eu também gosto. Ou então a blusa rosa que odeio, porque sou homem e tenho dessas frescuras. Mas eu uso, porque você parece me amar mais quando estou usando. É assim que eu amo você. Entendeu?

Texto inspirado por um amigo. Que diz que, apesar de não fazer tantas coisas fofas pra namorada, sempre deixa de comer as jujubas boas pra comer só as roxas, que são as que ela não gosta.


O que tem aqui

Diálogos, monólogos, conversas, crônicas, histórias malucas e talvez, quem sabe, até reais, de uma cabeça bem esquisita.

%d blogueiros gostam disto: