Arquivo para agosto \31\UTC 2010

Hoje o blog ficou diferente

Hoje não tem texto. Resolvi fazer um post diferente pra participar da comemoração do aniversário de 3 anos do Hoje vou assim, blog da Cris Guerra. E aí ela inventou uma brincadeira: chamou todo mundo pra “ir assim” com ela, como disse o Mark. Acompanho o blog dela há um bom tempo, e além de achar tudo muito legal eu sou fãzoca dessa moça. Como ela, também sou redatora. Como ela, também escrevo. Não tenho as roupas dela, mas fiquei toda boba quando meu dupla de criação aqui na agência, que já trabalhou com a Cris em Minas, disse que o meu jeito é muito parecido com o dela. (Eu tinha que aproveitar o momento pra dizer isso!)

E então estou aqui: fiz igual a ela, fui pra parede da agência fazer pose.
E foi assim que eu vim :]






Calça: C&A

Blusa: Não identificada

Sapatilha: Via Mia

Esmalte: Ana Hickman, cor (?)

Relógio: Imaginarium

Óculos: Prada (aham, claudia)

Colar: eu que fiz.

E essa é a Cris chamando todo mundo pra participar:

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O homem dos 9 andares

Te conheci assim que me mudei pro prédio novo. Um cara que eu conheci quando fui pegar a correspondência, um cara que eu conheci porque me ajudou a carregar as compras, um cara que arrumou as coisas elétricas lá de casa, um cara que interfonou no meu apartamento porque esqueceu a chave e não tinha como entrar. Você foi todos eles. Te conheci um monte de vezes, e a última foi quando você bateu na minha porta pra perguntar se eu tinha todas as temporadas de uma série antiga baixadas. Nos dias em que pegamos o elevador juntos, eu te conheci de vários jeitos. Sabia que às segundas você estava sempre atrasado e, de repente, eu estava me atrasando de propósito só pra te ver. Eu disfarçava saindo correndo e pegando o elevador quando ele já estava quase descendo pra parecer que eu estava ainda mais atrasada que você – de vez em quando não dava certo e eu perdia o elevador, e de vez em quando eu perdia mas quase conseguia, e te via lá dentro tentando fazer a porta abrir de novo, frustrado porque deu errado. Quarta era o seu dia de mau humor e o seu bom dia virava um sorriso automático sem mostrar os dentes. Em alguns sábados saímos juntos pra jantar. Ou fomos pra um barzinho, uma festa, ou cinema. Eu deixava pra saber o lugar quando cruzava com você no estacionamento e via a roupa que você estava usando. Quando fomos jantar, o seu cabelo estava molhado e você estava usando camisa rosa clarinho. No barzinho era uma camiseta muito bonita com umas coisas escritas que não deu tempo de ler. Na festa não sei, porque só senti seu cheiro no elevador. E era cheiro de perfume de festa. No cinema, eu fiquei brava, porque você tava de chinelo. E você disse que era só um cinema.

As coisas começaram a esfriar depois daquela sua primeira viagem. Eu não emendei o feriado e você simplesmente se mandou. Desceu pro litoral, levou sua prancha, seus 10 óculos escuros que te deixam ainda mais bonito e foi. Você e seus amigos que eu não suporto e que olharam pra mim descaradamente no elevador, no dia em que fomos pra um churrasco, ou pra um aniversário, ou pra qualquer lugar – fiquei com tanta raiva que esqueci de decidir pra onde a gente foi.

Na vez da viagem, te perdoei. Perdoei também quando você saiu sem mim. Perdoei quando esqueceu do meu aniversário e quando deu uma festa e não me chamou. Perdoei a loira natural, a loira platinada, a gordinha bonita, a japonesa que batia na minha cintura e a morena com um pé na baixaria. Quando ia perdoar a ruiva, ela voltou. E entrou no meu elevador, assistiu minhas séries, deu fim aos seus chinelos, atrasou ainda mais suas segundas-feiras e levou embora o mau-humor das quartas.

Quis conversar e acabar com tudo de vez quando nos encontramos naquele final do dia. Eu chegando tarde do trabalho e você chegando tarde da sua ruiva. Nove andares intermináveis e o elevador ficou maior do que costumava ser. Eu olhei pra você em todos os segundos e você pareceu não me ver. Pensou nos seus amigos idiotas, na nova série que estava baixando sem mim, nas suas viagens e na sua ruiva. Acabei com tudo de vez e você não ficou sabendo. Conversei com você por horas e no final enterrei nossa conversa no mesmo lugar onde estavam enterrados nossos cinemas, nossos encontros, nossos episódios pendentes e tudo aquilo que você não conseguiu ser. Troquei o elevador pelas escadas. Troquei você por mim.

Merthiolate não arde mesmo?

Não é com orgulho e nem com vontade que vou dizer isso: você não me doeu.

Eu me ralei inteira, tô cheia de casquinha e com pressa em arrancar todas. Mas vou repetir. Você não me doeu. Não sinto doer você, nossas conversas, nossos silêncios, nossas mãos, sua barba, nossas piadas ou coisa parecida. Bom, não é?  Não? Não.

Você não me doeu, mas mesmo assim dói. Dói e não é dor que dá ouvindo alguma das 3567 músicas que tem a ver com a gente. Não é dor que dá na hora que passa o filme que você disse que eu tinha que ver de qualquer jeito. Não é dor que dá quando alguém diz alguma coisa que eu já sabia, porque foi você que me contou.

Já que você não me dói, a gente podia ser do tipo que “tudo bem”. Tudo bem, a gente pode ir tomar uma cerveja. Tudo bem, a gente pode fazer qualquer uma das coisas que planejamos e que não aconteceram ou fazer de novo as que a gente não cansava de fazer. E se não sair como o planejado e acabar onde não deveria, tudo bem também. Mas não tá tudo bem, porque dói.

E se não é você que me dói, só tenho uma conclusão: quem me dói sou eu.

Falsos cognatos

Eu desculpo quem esbarra em mim na rua. Desculpo quem erra o meu nome. Outro dia desculpei um rapaz que furou a fila. Mas ele era bonitinho. Fingiu que tinha sido sem querer e eu desculpei as covinhas e o cabelo desarrumado dele.

Eu desculpo quem me atende mal. Fico remoendo, mas acabo voltando se eles parecem arrependidos. Um dia contaram um segredo meu. Eu desculpei. Nunca mais contei outro, mas desculpei. Tá bom, né?

Mas e você? Você me desculpa o tempo todo. E vai me desculpar quantas vezes for preciso. Você foi o meu músico favorito e que cantava pra mim na hora que eu quisesse. Você não esbarra em mim na rua, não erra o meu nome e não fura a minha fila. Desculpar é o quê? Dizer que desculpa? Te desculpo. Nunca poderia não te desculpar. Mas não mudou nada. Vou dizer de novo: te desculpo. Viu? Nada aconteceu.

Sabe o que é? Não tenho uma solução pra isso. Queria que fosse tipo penitência. Vou te mandar dar três pulinhos, correr em volta do quarteirão, mastigar pimenta, sair na rua de pijama e ta tudo resolvido.

Isso deve ser como essas diferenças que a gente encontra o tempo todo entre coisas que parecem iguais. A diferença entre sentir falta e sentir saudade. Paixão e amor. Esquecer e não lembrar. Escutar e ouvir. Essa aqui é mais uma: eu te desculpo. Mas não consigo te perdoar.


O que tem aqui

Diálogos, monólogos, conversas, crônicas, histórias malucas e talvez, quem sabe, até reais, de uma cabeça bem esquisita.

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