Arquivo para novembro \30\UTC 2010

Amarelo quindim

Tudo parecia certo. Ela arrumou a sala toda. Porque tinha que ser assim. Escolheu aquele dia numa inspiração que veio de uma revista, de um site, de algum link que alguém mandou e ela salvou nos favoritos da vida. Tinha tudo. Amarelinhos, luzes de natal no meio do ano, uma comidinha, o vinho que ela aprendeu a beber. E ele.

Marcaram às sete e já estava tudo pronto. Se deitou no sofá e se encheu de perguntas, já sabendo a resposta e perguntando só pra se satisfazer. Como quem vê um dia ensolarado e pergunta “tá sol, né?”. Se perguntou se era ele. Se perguntou se tinha chegado a hora. Se perguntou o que é mesmo que ela queria. E se respondeu.

Sempre quis que fosse alguém que soubesse cozinhar. Sempre quis que tivesse os melhores abraços, que fizesse o cafuné mais exato, que tocasse violão e tivesse uma voz grosseira e linda. Quis que soubesse tirar fotos, pra ela poder guardar o jeito como ele via o mundo. Quis que soubesse fazer massagens fabulosas e disponíveis a todo tempo, pra curar cada mundo que ela carrega nas costas – porque ela sempre ia carregar algum. Quis que fosse bonito, pra ela perder o fôlego pro resto da vida.

Ele chegou. Eles jantaram. Eles riram. E em certo momento, ele perguntou: você sabe o que é que você quer? E ela sorriu, esperta, porque essa ela sabia responder. E repetiu.
Repetiu a comida, os abraços, o cafuné, o violão, a voz, as fotos, as massagens, a beleza. Olhando pra ele e pensando em toda a certeza daquele dia.

E ele, com um sorriso torto, disse: Eu só quero que seja você. Tá?

E ela viu a certeza ir embora. E entendeu que faz parte do amor não ter certeza de nada. E ser feliz assim.

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Diálogos, monólogos, conversas, crônicas, histórias malucas e talvez, quem sabe, até reais, de uma cabeça bem esquisita.

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